domingo, abril 13, 2008

A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS

Yasunari Kawabata

Além de A Casa das Belas Adormecidas li os seguintes livros de Kawabata: The Dancing Girl of Izu and Other Stories, O País das Neves, Kyoto e agora estou lendo Contos da Palma da mão. Gostei de todos eles, são histórias curtas, normalmente plenas de sensualidade ou são uma reflexão sobre a existência, sobre a velhice, sobre a vida do próprio autor já que muitas das histórias são retiradas do seu diário. A Casa das Belas Adormecidas foi um dos que mais me impressionou e não sei bem a razão, talvez seja a forma, mas pode ser também a ousadia do autor ao tratar o tema da velhice através do personagem Eguchi, um respeitável senhor bem passado dos 60 anos. Este senhor, primeiro tomado por certa curiosidade, começa a freqüentar o local cujo nome é título do livro. Esta casa não é um bordel, entretanto, pelo menos não nos termos convencionais, é um lugar mais de contemplação que de ‘ação’. Os velhos que pagam para passar a noite na casa estão proibidos de ter relações com as garotas que trabalham ali, elas são pagas, na verdade, para dormir e permitir que sejam contempladas no seu sono e beleza. Por vezes, acariciadas, mas muitas regras devem ser seguidas. As meninas não devem saber com quem passaram a noite e dormem profundamente, não um sono natural, mas induzido por um produto que devem tomar, o cliente também pode tomar o sonífero, se desejar.

Um trecho:

“A decrepitude hedionda dos pobres velhotes que procuravam aquela casa ameaçava atingi-lo dentro de alguns anos. Quanto da imensurável amplitude do sexo, da insondável profundidade do sexo ele teria tocado na sua vida de 67 anos? Além disso, em volta dos velhotes nasciam incontáveis peles renovadas de mulheres, peles jovens, de garotas bonitas. Os desejos de sonhos impossíveis, o lamento pelos dias que lhes escaparam e que estavam perdidos para sempre não estariam impregnando os pecados daquela casa secreta? Eguchi já havia pensado que as garotas adormecidas o tempo todo seriam uma eterna liberdade para os velhotes. As garotas adormecidas e mudas certamente lhes falavam tudo que eles gostariam de ouvir.”

Toda vez que se fala neste livro é obrigatório acrescentar que G. Márquez baseou-se nele para escrever o seu Memória de minhas putas tristes. Não há comparação entre os dois, na minha opinião, claro. Não estou negando que um tenha sido baseado no outro pois o próprio Márquez já o afirmou. Memória de minhas putas tristes é, sempre na minha modesta opinião, o pior livro deste autor. Ainda que eu não tenha lido todos. Não vejo neste último livro nada da beleza e da sutileza do livro de Kawabata.

Yasunari Kawabata nasceu em Osaka em 1899, estudou Literatura na Universidade Imperial de Tóquio, recebeu o prêmio Nobel em 1968.

Filmes baseados nesta obra: House of Sleeping Beauties (1997), Haus der schlafenden Schönen (2006) – Alemanha, Nemureru bijo (1995)


Leila Silva Terlinchamp - Cadernos da Bélgica

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sexta-feira, março 02, 2007


The Dancing Girl of Izu and Other Stories
Yasunari Kawabata

Ao que parece, The Dancing Girl of Izu (A dançarina de Izu) vai ser publicado em português este ano pela Estação Liberdade. Digo, em português do Brasil, em Portugal já foi publicado há muito tempo pela Vega Editora.
Foi com este livro, publicado em 1925, que Kawabata começou a ser reconhecido. O livro é dividido em duas partes, a primeira claramente autobiográfica e a segunda com contos bem curtos, alguns baseados em lendas japonesas, com elementos fantásticos. O belo conto que dá título ao livro está na primeira parte, é, aliás, o primeiro conto e um dos mais longos do livro. O narrador encontra um grupo de artistas itinerantes e se encanta com uma das meninas, Kaoru, que, por causa da maquiagem, ele imaginava mais velha, ela tem apenas treze anos. Em outro conto, Diary of my sixteenth year (Diário dos meus dezesseis anos), o autor narra, em detalhes, a decadência física do avô. Nessa época Kawabata já tinha perdido o pai, a mãe, uma irmã e a avó, agora vivia só com o avô que estava morrendo. Vinte e sete anos mais tarde o autor retoma essas notas sobre o padecimento do avô, a falta de paciência de um e de outro, os arrependimentos, o cansaço. Ele reencontra as folhas e vai refazendo, colocando explicações entre parênteses e ao final. E, ao reler tantos anos depois o que escreveu, ele faz uma reflexão sobre a memória, não fossem aqueles escritos, muito do que se tinha passado entre ele e o avô já teria se apagado para sempre. As anotações eram muito francas, na época, o avô já estava cego e, portanto, impossibilitado de ler, assim Kawabata não precisava temer que seu diário o ofendesse.

Yasunari Kawabata é também o autor de A casa das belas adormecida, livro que inspirou Memórias de minhas putas tristes de Gabriel García Márquez. Ele nasceu em Osaka em 1899, estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi o primeiro escritor japonês a receber o prêmio Nobel (1968). Suicidou-se, em 1972, quatro anos após o suicídio de seu amigo Mishima.
Seu livro Tristesse et Beauté adaptado para o cinema em 1985, na França.

No Brasil foram publicados os seguintes livros de Kawabata:
A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS

Leila Silva Terlinchamp - Cadernos da Bélgica

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